A agressividade pelo tratamento da violência.

violenciaA história da humanidade é servida de atrocidades que partem desde o cenário político, passando pelo familiar e concluindo no religioso. Líderes, pais e autoridades religiosas mataram milhares e morreram aos milhares através de um violento teatro escrito pela, talvez, mais essencial das inúmeras características humanas, a agressividade.

A agressividade é fruto de uma herança primitiva e inerente ao ser humano, é item de manutenção das mais diversas manifestações de saúde. Apesar da necessidade de moderação, não há humanidade sem agressividade.

Trata-se de uma questão difícil de eliminar, portanto, a moderação é o mais próximo que se pode chegar daquilo que se espera ser um controle, pois, esta agressividade é uma das principais características humanas que carecem de satisfação. Sim, precisamos e somos agressivos a todo instante, nem (ou principalmente) que seja com nós mesmos, de forma que qualquer manobra de opressão dessa agressividade culminará naquilo que se chama de violência, fruto da explosão daquilo que deveria fluir e de uma (errônea) maneira acabou por cair na contenção.

Um desejo quando necessita de satisfação, encontrará uma forma de sê-lo, e acredite as satisfações espontâneas são as mais constrangedoras e catastróficas.

 A arte marcial coloca o praticante em contato com essa agressividade, criando um espaço onde se autoriza a satisfação deste impulso e funciona como uma válvula de escape, diminuindo o risco de uma explosão espontânea causada por qualquer mecanismo de repressão.

Trabalhar com a agressividade através da arte marcial permite a diminuição e a administração de episódios de violência tão frequentes em nossa sociedade. A arte faz com que o praticante, ao fazer parte de um quadro de violência, ativa ou passivamente, possa conduzir a situação com destreza a fim de evitar proporções irreversíveis.

 Não se trata somente de um estilo que visa o desenvolvimento do corpo ou a aquisição de técnicas agressivas. O artista marcial, muito antes de se tornar um exímio conhecedor de seus impulsos, torna-se um excelente zelador social que faz uso de sua agressividade em prol do controle da violência.

Hudson Lacerda

Acerca de Hudson Lacerda

"Não me peça para dizer quem sou e nem para permanecer o mesmo." Michel Foucault.