Um breve histórico do Kung-Fu

No ano 2674 ac se deu o primeiro registro de que soldados usavam movimentos de luta baseados em movimentos de animais durante as batalhas e de que eles se destacavam entre os demais.

Bem antes desta data já existiam práticas militares na China, que sempre tiveram uma assistência especial por parte dos imperadores que se preocupavam em manter sua soberania.

Foi bem mais tarde quando mestre Bodhidarma  – o vigésimo oitavo patriarca do budismo – conhecido na China como Ta Mo chegou ao templo Shaolin para ensinar o Budismo aos chineses que se deu início as práticas de exercícios de luta neste monastério. Não há registro de técnicas de luta em Shaolin antes de sua chegada em 518 dc.

Vendo que os monges de Shaolin tinham dificuldades em se manter nas posturas de meditação devido ao mau condicionamento físico, Bodhidarma que era praticante do Vajramushti – uma arte marcial praticada pela nobreza indiana e cujo nome significa Punho da Realeza, e que abrange o condicionamento físico, mental, emocional e espiritual do indivíduo – decidiu treiná-los. Lendas relatam que ele meditou durante nove anos em uma caverna, e quando voltou trouxe consigo dois métodos de condicionamento, o Yi Jin Jing – transformação dos músculos e tendões – e o Xi Sui Jing – purificação da coluna vertebral e cérebro. Bodhidarma os ensinou numa série de 18 movimentos, e após sua morte, um monge chamado Kwork Yuen os ampliou para 172 movimentos e o dividiu em cinco métodos: Tigre, Serpente, Garça, Leopardo e Dragão.

O Kung-Fu se dividiu e expandiu não só dentro de Shaolin, mas também através de pessoas de fora que estudavam no templo temporariamente e passou a se dividir em clãs. Cada família se identificava por dominar um estilo ou outro, como por exemplo a família Chen famosa por seu Feng Jau, o Garra de Águia. Na China antiga lutar Kung-Fu era uma necessidade, pois a sociedade se dividia em Nobres, Camponeses, Artesãos e Militares, e era muito difícil migrar de um grupo para o outro. Em contrapartida a esta organização social haviam os bárbaros, que não obedeciam as leis e limites, e eram exímios lutadores. Isso obrigava a todos, mesmo os fazendeiros, a terem seus conhecimentos em Kung-Fu. Por outro lado, os nobres se viam obrigados a saber Kung-Fu por uma questão de cultura.

Influenciado por Kon Fu Tze (Confúcio) e Lao Tze, sábios que sacramentaram a cultura da China antiga, o Kung-Fu ganhou sua roupagem mística que o acompanha até hoje, e faz dele uma arte de princípios elevados.

Por representar uma ameaça ao então governo invasor da China, o governador geral ordenou a destruição do templo. Há controvérsia quanto a data e o imperador vigente. O mais aceito é que tenha ocorrido em 1647 sob o governo do imperador Shunzhi; em 1674, 1677 ou 1714 sob o governo do imperador Kangxi, ou em 1728 ou 1732 sob governo do imperador Yongzheng. Os invasores não lograram exito apenas com ataques frontais, já que os monges de Shaolin eram imbatíveis no campo de batalha, e por isso enviaram um espião chamado Man Ning Ye para infiltrar-se no templo. Após envenenar a água, incendiou o templo provocando uma destruição na área física, favorecendo a entrada dos soldados que mataram vários mestres e alunos, prenderam alguns e outros conseguiram fugir.

fuga de shaolin

As lendas chinesas e história oral de diversos clãs documentam que cinco mestres conseguiram escapar: Pak Mei, Chan Sin, Mil Hin, Fog To Tak e N’g Mui. Também conseguiram espaçar alguns alunos, entre eles Hung He Kung, Fong Wen Chum, Tong Chi Kung, Luk Ah Choi e Tse Ah Fok, todos nomes ligados a origem de diversos estilos de Kung-fu praticados ainda hoje.

Embora muitas vidas e patrimônio cultural tenha se perdido no ataque, estima-se que esse duro golpe às artes marciais de Shaolin deu início a um grande período de expansão e difusão do Kung-Fu por toda a china e depois para o mundo.

Rafael Salomão

Acerca de Rafael Salomão

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